Simples produto de sobremesa consumido nas mesas burguesas européias, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro já em meados do século XIX e enriqueceu uma elite de fazendeiros do Vale do Paraíba e Oeste paulista. Ajudou a consolidar a prevalência econômica do Centro-Sul do país e fez a prosperidade de muita gente.
Insatisfeita com a centralização político-econômica do Estado imperial, parte considerável da oligarquia do café cerrou fileiras em torno das bandeiras da federação e da república. A queda do Império (1889) levou ao poder os republicanos e a elite cafeicultora ganhou um peso sem precedentes no cenário político.
O café manteve-se como principal produto de exportação durante toda a República Velha (1889-1930) e financiou empréstimos externos, estimulou a imigração, favoreceu a expansão da rede de transportes, permitiu o adensamento do sistema bancário, aumentou o comércio internacional e detonou os primeiros surtos de industrialização e urbanização do país.
A hegemonia da oligarquia cafeeira na administração pública dos principais estados (São Paulo e Minas Gerais) e no governo federal tornou possível uma política econômica global voltada a atender aos interesses da lavoura, postura essa que só foi limitada pela necessidade de garantir a ordem das finanças públicas, a solvibilidade externa e a sobrevivência do próprio Estado.
Em períodos sem crise a enfrentar, o governo federal manipulava as taxas de câmbio em tempos de baixa nos preços internacionais do café para aumentar a lucratividade dos fazendeiros em moeda nacional, mecanismo que o economista Celso Furtado batizou de “socialização das perdas”, porque encarecia em demasia as importações de bens de consumo, reduzia a arrecadação de tributos na alfândega e onerava o custo de vida da maioria da população.
Os governos estaduais, por sua vez, lançaram mão de dinheiro público para adquirir, estocar e queimar parte da produção de café, de modo a restringir a oferta e estabilizar os preços, com participação direta ou indireta do governo federal. O Convênio de Taubaté de 1906, firmado entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, foi um exemplo dessa intervenção direta do Estado na valorização dos preços da principal riqueza nacional, repetida nos períodos de 1917-1920 e 1921-1924.
Enrique Carlos Natalino
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