Die Mauern stehn
Sprachlos und kalt, im Winde
Klirren die Fahnen
“Halfe des Lebens” - Friedrich Hölderlin (1770-1843)
Vergeßt nicht die gefälschten Würfel der Dichter.
Wenn die Eisernen wieder herrschen,
werden wir uns trösten müssen,
Steine schmücken mit kleinen Steinen,
mit Wasser das Herz.
“Gräbes” - Joachim Sartorius (1946)
Very bad: being invited out,
when your own room at home is quieter,
the coffee is better,
and you don’t have to make small talk
“What’s Bad” - GottFried Benn (1886-1956)
Sprachlos und kalt, im Winde
Klirren die Fahnen
“Halfe des Lebens” - Friedrich Hölderlin (1770-1843)
Vergeßt nicht die gefälschten Würfel der Dichter.
Wenn die Eisernen wieder herrschen,
werden wir uns trösten müssen,
Steine schmücken mit kleinen Steinen,
mit Wasser das Herz.
“Gräbes” - Joachim Sartorius (1946)
Very bad: being invited out,
when your own room at home is quieter,
the coffee is better,
and you don’t have to make small talk
“What’s Bad” - GottFried Benn (1886-1956)
Sei que é arrogante de todos nós incorporarmos o (instantâneo) papel de analistas sobre um fato por simples força da efeméride. Como se uma data tivesse o condão de nos iluminar conhecimento pelo simples fato de existir. Todavia, a sedução dos símbolos é mais forte do que a minha sensatez. Rendo-me aos clichês.
1989 está viva pelas ruas de Berlim. Os tijolos do muro, hoje ao nível do chão, seguem pelas ruas, avenidas e praças da cidade sofrendo o peso dos tempos modernos: carros, modernos VLT’s, sapatos Prada a caminho de Potsdamer Platz, tênis quadriculados all star a passos largos para abertura de uma exposição de arte na Markgrafenstrasse, o café turco derramado da garrafa térmica, pedaços ainda frescos de falafel caídos no chão, etc. Essa é Berlim atual. Aber Berlin ist nicht Deutschland (Mas Berlim não é a Alemanha), diria um cosmopolita, boêmio (e quiçá desempregado) berlinense. A despeito de ser pernóstico o comentário de nosso fictício berlinense, há verdade em sua fala.
1989 está viva pelas ruas de Berlim. Os tijolos do muro, hoje ao nível do chão, seguem pelas ruas, avenidas e praças da cidade sofrendo o peso dos tempos modernos: carros, modernos VLT’s, sapatos Prada a caminho de Potsdamer Platz, tênis quadriculados all star a passos largos para abertura de uma exposição de arte na Markgrafenstrasse, o café turco derramado da garrafa térmica, pedaços ainda frescos de falafel caídos no chão, etc. Essa é Berlim atual. Aber Berlin ist nicht Deutschland (Mas Berlim não é a Alemanha), diria um cosmopolita, boêmio (e quiçá desempregado) berlinense. A despeito de ser pernóstico o comentário de nosso fictício berlinense, há verdade em sua fala.
Vinte anos após a queda do muro, se a unificação (ou absorção como diriam os mais cautelosos juristas) apresenta os belos prédios modernos de Berlim, o vigor financeiro de Frankfurt, a energia do vento na pequena Dardesheim e a frutífera parceria franco-germânica (com os seus 27 membros e tantos outros aspirantes), também revela uma Alemanha dividida pelos indicadores sociais e econômicos das antigas RDA e RFA, de uma população imigrante (em especial de origem turca) ainda não assimilada, da busca de uma política externa e de defesa comum em escala européia.
Ao mesmo tempo em que o fluxo de investimentos “ocidentais” em direção ao “Oriente” torna-se poderosa força centrípeta, reminiscências da cultura comunista fazem o papel centrífugo com seus souvenirs, ao sorver espumante Rotkäppchen dentro de um pequeno Trabant (a versão germânico-oriental do russo Lada).
Ao mesmo tempo em que o fluxo de investimentos “ocidentais” em direção ao “Oriente” torna-se poderosa força centrípeta, reminiscências da cultura comunista fazem o papel centrífugo com seus souvenirs, ao sorver espumante Rotkäppchen dentro de um pequeno Trabant (a versão germânico-oriental do russo Lada).
Como anunciado, os clichês: a história não acabou (a pós-modernidade a matou muito antes que Fukuyama lesse Hegel nas páginas do seminário de Kojève); a Neue Ostepolitik de Brandt foi exitosa; a Guerra Fria converteu-se em confusas guerras plurisemânticas (entre civilizações, multiétnicas, de baixa intensidade, cirúrgicas, fratricidas, de guerrilha, convencionais, etc); às potências internacionais as polaridades começam a receber contornos mais definidos, mas sem consensos; a sociedade internacional não é mais anárquica como o foi outrora, porém o poder continua capaz de condicionar destinos; os próximos vinte anos ainda guardam muitos desafios à integração alemã; e os poetas ainda são lidos.
Atrás do muro silencioso de Hölderlin, sob os túmulos de pedra de Sartorius e na hesitação ao convite de Benn, guarda-se o segredo de Berlim; do mundo, talvez seja muita pretensão.
Atrás do muro silencioso de Hölderlin, sob os túmulos de pedra de Sartorius e na hesitação ao convite de Benn, guarda-se o segredo de Berlim; do mundo, talvez seja muita pretensão.
Luís Fernando de Paiva Baracho Cardoso
São Paulo, Nov. 2009
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