segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Lições do episódio Marcelo Calero x Geddel






O episódio envolvendo o ex-ministro Marcelo Calero jogou luz sobre conflitos de interesses dentro dos governos. Esteve em questão a prevalência dos princípios da impessoalidade e da moralidade sobre o velho patrimonialismo que infesta os escaninhos do poder na vida pública brasileira.


O caso revela a incompetência do governo em resolver uma questão aparentemente banal sem hesitar, expor-se e desgastar-se perante a opinião pública. Geddel nem mesmo deveria ter sido nomeado ministro. A resposta errada de Temer diz muito sobre o modo ultrapassado de pensar do Palácio, nos mesmos moldes do PT.


A opinião pública faz conexão direta entre corrupção e a grave crise econômica que vivemos. E o episódio Geddel é fácil de entender à luz do contraste entre as imagens do apartamento de luxo de um ministro de Estado e a penúria da realidade do país. Como o governo cobrará austeridade e sacrifícios da população sem dar exemplos de boa conduta?


Potencial explosivo de uma crise que prossegue.


Temer perdeu a oportunidade de demitir Geddel Vieira Lima no primeiro momento e dar exemplo ao país. Ao invés de condenar e reprovar, aquiesceu com o estilo e legitimou as atitudes do ex-ministro de usar o cargo em benefício pessoal. O pedido de demissão de Geddel não estanca a crise, que fez um rombo na reputação do presidente da República em semana crucial de votações no Congresso.


O governo balançou como vara verde diante dessa crise. Imagine o que vem por aí com a delação da Odebrecht, que promete arrastar vários ministros para a fogueira!


Michel Temer precisa de uma guinada realista, de uma ampla e profunda repactuação do seu governo. Não com o Congresso e com os partidos, onde tem base sólida, mas com a sociedade brasileira. O país atravessa a pior crise econômica e de corrupção em sua história.


O governo Temer está tão fragilizado com essas figuras que ficou de joelhos perante a opinião pública no caso Calero. Tem base parlamentar e apoio congressual, mas diante da conjuntura crítica e da descrença generalizada nos partidos e nos políticos, está perdendo a batalha da opinião pública. Como um doente com sistema ideológico fraco: qualquer gripe o derruba na cama.


A opinião pública quer gestos de grandeza: bons exemplos, coragem, credibilidade, honestidade e transparência. Pequenas e grandes atitudes, limpeza ética, cuidado com os detalhes, comunicação eficiente e pedagogia na liderança pelo exemplo.



Liderança e convencimento são essenciais. Sem esses gestos, a sua ponte para o futuro não irá se sustentar. Vai tombar no abismo da descrença e da desesperança.



Enrique Carlos Natalino
Doutorando em Ciência Política (UFMG)

domingo, 1 de fevereiro de 2015

UMA DOMINGO PARA NÃO SE ESQUECER

 
 
 
 
Renan Calheiros (PMDB-AL) foi reeleito nesse domingo para a presidência do Senado Federal, com o apoio explícito do PT e do Palácio do Planalto. Disputa entre o candidato ungido pelo Executivo e o seu contendor, de uma ala independente do PMDB, foi a mais apertada desde que o PT chegou ao poder. A votação do Senador Luiz Henrique, merecedor de 31 votos dos senadores, mostra uma oposição cada vez mais forte e que não comunga com a interferência deslavada do Planalto nos assuntos do Congresso. Graças ao apoio dos presidentes Lula e Dilma, grupo de Sarney e Renan, majoritário no PMDB, notório pela defesa dos interesses oligárquicos e dos mais atrasados costumes políticos, mantém o controle da Câmara Alta. Na vitória de Renan, constam as impressões digitais da atual mandatária e de seu antecessor.
 
 
Na outra Casa do Congresso, no entanto, a presidente Dilma Rousseff não teve a mesma sorte. Após intensas negociações, discursos e articulações, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sagrou-se presidente da Câmara dos Deputados, com 267 votos de seus pares. O candidato da oposição, Júlio Delgado (PSB-MG), contabilizou 100 votos, ficando em terceiro lugar, na frente de Chico Alencar (PSOL-RJ)), com 8 votos. Arlindo Chinaglia, do PT, apoiado por Dilma Rousseff, teve uma votação abaixo do mínimo esperado pelo Governo (136 votos). Com a rebelião dos partidos da "base aliada", liderada pelo PMDB, o Palácio do Planalto sofre a sua maior derrota no Congresso Nacional desde... 2005!
 
 
A eleição do outsider Eduardo Cunha, fortalecido com a intervenção desastrada do Palácio do Planalto na disputa, agrava o cisma entre PT e PMDB e sinaliza o descolamento do maior partido da base aliada, dos interesses hegemônicos do Partido dos Trabalhadores. A partir de hoje, com Cunha na cadeira que já foi ocupada por Ulysses Guimarães, Luís Eduardo Magalhães, Michel Temer, Aécio Neves, João Paulo Cunha e até por Severino Cavalcante, a vida do Governo do outro lado da Praça dos Três Poderes ficará cada vez menos risonha.  
 
 
O Planalto terá que curvar-se ao diálogo com o Congresso, ingrediente praticamente ausente nas relações do Executivo com o Legislativo. Ademais, terá que administrar uma Câmara Baixa menos dócil, com uma bancada de oposição pelo menos 40% mais numerosa, comandada por um aliado, no mínimo, incômodo. A derrota dessa noite torna ainda difícil o intento do PT de impor ao país a sua pauta autoritária, com itens como o controle social dos órgãos midiáticos.
 
 
O trinfo de Eduardo Cunha, para uns a versão brasileira de Francis Underwood, da série de ficção House of Cards, pode ter vários significados. Entrecortado por um cenário econômico mais adverso e por um ambiente político marcado pelo escândalo da Petrobrás, a vitória do peemedebista pode colocar no caminho da presidente Dilma Rousseff uma série de pautas bombásticas. Sem a maioria esmagadora do governo passado, a gestão da política no segundo governo da presidente parece caminhar para dias cada vez mais difíceis, o que não representa um desafio para um coração pródigo em valentia.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Oscar para Dilma Rousseff

 
 
Constrangedor para os amigos eleitores do PT ou que deixaram de votar no PSDB porque o acusaram de querer provocar um arrocho no país assistir, nesses primeiros trinta dias do ano de 2015, o governo Dilma II entregar o avesso de tudo o que prometeu na propaganda eleitoral. Concebida pelo marqueteiro Joao Santana, o mais competente dos bruxos na arte de mentir com eficiência na televisão, sua propaganda política de reeleição mereceria um Oscar, o de Melhores Efeitos Especiais....
 
 
Vimos ali uma administração inchada e desastrosa, um escândalo de corrupção de proporções ciclópicas e uma herança econômica maldita serem escondidos de todos os brasileiros. Em seu lugar, tal como uma ilusão cinematográfica, surge um país de mentiras, ficção e manipulações, transformando em inimigos da Nação todos os que ousam divergir e discordar do oficialismo governamental. Adversários foram sistematicamente descontruídos com base na má-fé, na calúnia e no uso constante da máquina pública federal para chantagear os beneficiários de programas governamentais.
 
 
Da parte da Oposição, a derrota não a deixou menor. Mesmo com todos os problemas, falhas, erros estratégicos e deslizes táticos, ela cravou dois feitos importantes: conseguiu mobilizar o país inteiro numa grande onda mudancista, e amealhou a maior votação para presidente desde 2002, ameaçando perigosamente a permanência do PT no poder.
 
 
Foi uma vitória de pirro a de Dilma.
 
 
Na semana seguinte ao pleito de outubro, fomos apresentados ao Brasil real, um país quebrado, no limite irresponsável da suspensão de gastos essenciais para o custeio de serviços públicos essenciais. Na iminência do rebaixamento da economia brasileira pela comunidade financeira internacional, a única saída foi trazer, a contragosto, sob o patrocínio do maquiavélico Lula, um economista-banqueiro para tentar consertar as combalidas finanças nacionais. Sem a menor justificativa ou explanação, o "coração valente" abandonou a falida "nova matriz macroeconômica" do ministro Guido Mantega (demitido em dezembro) e acabou se rendendo ao programa do adversário Aecio Neves, que nunca escondeu do Brasil a essência do que iria fazer: arrumar a casa antes que desmoronasse.
 
 
A presidente da República, acovardada, desapareceu completamente dos olhos da Nação. Não dá entrevistas desde que tomou posse, deixou de ir ao Fórum de Davos para render homenagens a Evo Morales e parece indiferente aos escândalos que permeiam a gestão da petroleira estatal, convertida em caixa 2 do PT. Eleita por uma coalização de partidos e interesses acostumados aos tempos de bonança, o que lhes resta é partilhar a escassez e uma herança desastrosa na gestão do Estado Nacional.
 
Estou impressionante como os meus amigos defensores de Dilma Rousseff, infligidos pela decepção do grande estelionato eleitoral do século, debandaram dos debates e praticamente sumiram das redes sociais.

Cavalo de pau na economia





Quem acredita numa presidente que promete uma coisa em eleição e faz outra no Governo? Hoje, Dilma Rousseff acabou por admitir que seu Governo teve que dar um cavalo de pau na economia, sob pena de ver sua presidência desmoronar sob os escombros de uma economia em estado crítico. Mas não reconheceu, em nenhum momento, que a causa da mudança de rumos foi o seu próprio governo. É lícito vencer uma eleição com base na mentira, na manipulação e no estelionato?
 
 
Dilma Rousseff jurou a milhões de brasileiros que o país estava às mil maravilhas: a economia estava em ordem, novos investimentos iriam chegar e os programas sociais iam bem, obrigado. Se a economia do Brasil estava em ordem, por que, na semana seguinte à vitória no segundo turno, fomos apresentados pelas autoridades a um cenário completamente adverso: maior déficit público dos últimos anos, somado com inflação em alta, rombo monstruoso nas contas externas, investimento definhando e pobreza crescente?
 
 
Ademais, ao invés de manter Guido Mantega ou alguém ligado a ele no cargo de Ministro da Fazenda, por que a presidente reeleita trouxe para o seu lugar um banqueiro que trabalhou no Bradesco, com formação da Universidade de Chicago, a Meca do "neoliberalismo"? Assim como Lula fez em 2003, ao trazer para o Banco Central Henrique Meirelles, um banqueiro ligado ao PSDB, Dilma tenta socorrer-se de um economista ortodoxo para tentar evitar que seu segundo governo acabe antes de terminar. Venceu o discurso populista, mas a cartilha da heterodoxia que levou aos desmandos nos setores financeiro, industrial e energético, mobilizando centenas de bilhões de reais em subsídios, deve ir para a lata do lixo.
 
 
Pratica-se hoje, a toque de canetadas do Poder Executivo, um dos mais drásticos arrochos fiscais da história do Brasil. E, se por um lado a alternativa ao ajuste nas contas públicas é o caos, por outro ele vai sendo realizado sem critério, transparência e negociação com o Congresso, punindo a produção e o trabalho. Já foram anunciados aumentos de impostos para a classe média, tarifaços, volta de contribuições, cortes em investimentos, diminuição nos benefícios sociais para aposentados e desmonte de importantes políticas de Estado, como a do Ministério das Relações Exteriores, um dos mais afetados pelos cortes.
 
 
No lado do gasto, nenhuma notícia sobre reduções no número de Ministérios e de cargos comissionados, imensos canais de desperdícios de dinheiro público. Ao contrário, seu governo promove verdadeira farra com o dinheiro público na Esplanada dos Ministérios, trazendo para o poder um time sem preparo para lidar com os crescentes problemas brasileiros e com os nossos maiores desafios. A educação, por exemplo, elencada como a prioridade das prioridades em seu discurso de posse, foi contemplada com um ministro sem intimidade nenhuma com a pasta e com os maiores cortes no orçamento federal.
 
 
A perspectiva de crescimento da economia brasileira em 2015 pode ser negativa, preveem a maioria das consultorias especializadas no assunto. Compreende-se hoje que a empulhação, o falseamento da verdade e a fabricação de ilusões foram as únicas maneiras de vender, aos milhões de eleitores que votaram no PT, a mentira do século.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A essência da política e do poder


 
 
Estamos em mais um ano eleitoral e o país começa a contagem regressiva para a escolha do próximo Presidente da República, de Governadores, Senadores e Deputados Estaduais e Federais no Brasil. Partidos e candidatos se revezam nos programas políticos na televisão e nas viagens por regiões e cidades em busca do apoio e do voto dos cidadãos. Estes, por sua vez, vivenciam, em maior ou menor grau, o difícil exercício de avaliar e escolher seus governantes e representantes para o próximo período de quatro anos, inventariando feitos e analisando expectativas. Além dos candidatos, dos partidos e das instituições, a própria atividade política também passa a ser avaliada.
 
 
A valorização da política, conjugada com o fortalecimento da participação social, base de um Estado Democrático de Direito, é fundamental para a melhoria da governança em nossa sociedade. A despeito dos importantes avanços institucionais verificados desde no Brasil desde a redemocratização,  o enfraquecimento dos partidos, a forte dependência entre poder político e poder econômico e a deterioração dos costumes produzidos pelo sistema político criaram fortes barreiras à oxigenação de lideranças e à atração das melhores inteligências do país para a arena pública.
 
 
No sistema republicano, presidencialista e federal brasileiro, a distância entre o país ideal e o país real é bastante grande. De difícil compreensão para a maioria dos brasileiros, o nosso sistema político mostra sua crescente esclerose e quase falência diante dos grandes desafios que se apresentam a uma nação continental, com mais de 200 milhões de habitantes, com uma das maiores economias mundiais e com uma sociedade cada vez mais heterogênea e complexa, tornando-se, pelas suas falhas, inconsistências e vícios, vitualmente incapaz de garantir uma combinação razoável de governabilidade, de representatividade e de probidade.
 
 
A crise na representação, por outro lado, abre a oportunidade para a mudança. De quando em quando, o país exige uma renovação de lideranças e a escolha de novos caminhos, o que se faz, segundo a lição dos mais sábios, combinando o frescor da juventude com a experiência da maturidade. Em seu livro "Cartas a um Jovem Político", de 2007, um exercício inédito de aconselhamento sobre a atividade política, em tom direto e coloquial, Fernando Henrique Cardoso  afirma que não há ação política sem coragem para enfrentar resistências, talento para ouvir opiniões distintas, visão de futuro e capacidade de tomar decisões firmes.
 
 
Na lição de Cardoso, num cenário que combina, de um lado, normalidade institucional e democrática, e de outro, crescente desconfiança e indiferença da sociedade  em relação ao mundo político, precisar refletir cada vez mais sobre os limites, possibilidades e desafios da vida pública. Como ensina o sociólogo alemão Max Weber em sua obra “Política como Vocação”, a atividade política requer o equilíbrio das convicções com as circunstâncias políticas do momento, segundo a ética da responsabilidade. E, se por um lado a política envolve um "viver perigosamente", por outro os riscos inerentes ao seu exercício devem ser administrados com a aquisição de mais conhecimentos e a ponderação das opiniões alheias, tornando os homens públicos capazes de ampliar a compreensão da realidade e tomar decisões mais acertadas.
 
 
O exercício do jogo do poder, em sua essência, não mudou muito ao longo de séculos e séculos de história humana, pois a própria natureza humana permanece a mesma. Num outro diapasão, com a ascensão das sociedades de massa, a abertura das fronteiras nacionais à globalização, a reformulação dos papéis dos Estados nacionais, o surgimento de demandas e agendas sociais cada vez mais especializadas e a emergência das novas tecnologias de comunicação e informação, o modo com que exercemos e vivenciamos o controle do poder nas modernas democracias passa por um período de transformação sem precedentes. Entender essas transformações, compreender o seu significado e possibilitar a maximização do controle sobre os nossos destinos são desafios que se apresentam aos homens públicos da nessa era, especialmente em anos de escolhas críticas como esse que vivenciamos. 
 
 
 
Enrique Carlos Natalino
  
Bacharel em Direito no Largo de São Francisco (Universidade de São Paulo)
Mestre em Administração Pública na Escola de Governo da Fundação João Pinheiro
Professor da Faculdade de Ciências Econômicas e Gerenciais da PUC Minas
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eleições de 2014: um voo cego?




Nesse momento pós-tragédia da morte do candidato a presidente Eduardo Campos, há muito achismo e palpites no ar. Tal qual numa Copa do Mundo, todo mundo quer ser técnico e fazer análises. Pelas entrevistas e artigos de acadêmicos e politólogos que temos lido, ainda há muita inconsistência nesse momento. Sobram especulações e há muitas incógnitas, pois não sabemos, por exemplo, como a futura candidata Marina Silva vai se comportar a partir desse momento. Se ela for candidata pelo PSB, pretende desistir da criação do seu partido, a Rede Solidariedade? Terá apoio da cúpula e das bases partidárias do PSB e aliados? Vai manter os acordos e palanques costurados por Eduardo? Vai mudar sua postura radical perante temas sensíveis ao agronegócio e aos setores empresariais? Perguntas que aguardam respostas.

Vejamos como ficarão as próximas pesquisas presidenciais com um maior distanciamento da tragédia que vitimou um dos concorrentes e o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Dilma Rousseff permanece a favorita e tem a seu favor, além do maior tempo de televisão, o apoio de Lula e o controle da máquina partidária federal. Por outro lado, reparem que Aécio Neves não perdeu nenhum ponto na nova pesquisa Datafolha. Como o candidato mais desconhecido, por não ter disputado eleições nacionais, tem maior espaço de crescimento. Seus palanques estaduais prometem reforçar sua campanha e ele ainda pode ainda herdar alguns votos que se destinariam a Eduardo Campos, sobretudo no Centro-Sul.

Estamos ainda no terreno da especulação. A maior certeza é a de que teremos uma das eleições mais disputadas e imprevisíveis da fase pós-redemocratização do país. A ver como o quadro evolui.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Zona da Mata: a força da nossa Região

 
 
Estivemos na última semana na Zona da Mata Mineira, uma das mais belas regiões do Estado, berço de músicos como Ary Barroso, Ataulfo Alves, Zé Geraldo e João Bosco. Terra de empreendedores, de cineastas como Humberto Mauro, juristas como Victor Nunes Leal e de ex-presidentes da República, como Artur Bernardes.
 
 
Uma combinação interessante da alma mineira com o jeito extrovertido carioca de ser, com algumas pitadas das montanhas capixabas. No auge do ciclo cafeeiro, já foi a locomotiva econômica das Alterosas, produzindo um grande esplendor cultural e arquitetônico entre final do século XIX e começo do século XX. 

 Privilegiada pela localização estratégica, recursos naturais, disponibilidade de mão-de-obra e boa oferta de serviços, a Zona da Mata Mineira tem conseguido, aos poucos, reencontrar o caminho para o desenvolvimento econômico e social. As suas múltiplas vocações (agricultura, indústria, turismo) precisam ser fortalecidas para que a região possa participar, com altivez e entusiasmo, de um novo ciclo virtuoso de prosperidade e desenvolvimento, baseado na inovação e no empreendedorismo. 

O Governo de Minas tem sido um parceiro de primeira hora do projeto de reencontro da Zona da Mata com a sua vocação para o progresso, apostando na melhoria da educação, da saúde, da infraestrutura e de outras searas importantes para a vida de todos os seus habitantes.
 
 
Com governança de qualidade, nos âmbitos local, regional e estadual, será possível dar um novo norte para as terras do leste de Minas.
 
 
Enrique Carlos Natalino, Professor Universitário e Assessor do Governo do Estado de Minas Gerais

domingo, 25 de maio de 2014

UBÁ: UMA NOVA ECONOMIA NA ZONA DA MATA

 
A cidade de Ubá, na Zona da Mata, famosa pelas suas mangas e por ser o berço do compositor de "Aquarela do Brasil", é um dos mais interessantes estudos de caso da indústria latino-americana.  Entre o começo do século XIX e meados do século XX, a região atravessou diversos ciclos econômicos, passando da cafeicultura à produção de fumo, milho e gado. A mistura de descendentes de antigos mineradores com imigrantes libaneses e italianos nas terras do sudeste de Minas Gerais fixou na região uma mão-de-obra abundante e diversificada, marca da sua colonização inicial.
 
No começo da década de 1960, a crise na produção do fumo e a falência de uma grande empresa de móveis geraram desemprego e abriram uma janela de oportunidade para reconversão econômica e o nascimento de pequenos empreendimentos de fabricação de móveis em fundos de quintal. Com o trabalho dessas famílias de pequenos marceneiros e a aplicação de novos recursos tecnológicos, a indústria de móveis ubaense expandiu-se ano após ano, numa trajetória de crescente reforço da credibilidade de suas empresas e da qualidade dos seus produtos.
 
Desse histórico impressionante de superação e reconstrução, nasceu um dos mais importantes complexos moveleiros do país, com cerca de 350 empresas, responsáveis pela geração de 10 mil empregos diretos e de 20 mil indiretos (dados da FIEMG), além de uma considerável parcela do PIB industrial da Zona da Mata. Hoje, o polo moveleiro de Ubá impulsiona a economia da cidade e de todo o seu entorno, espraiando-se ainda pelos municípios de Guidoval, Guiricema, Piraúba, Rio Pompa, Rodeiro, São Geraldo, Tocantins e Visconde do Rio Branco.
 
Localizada a 290 km de Belo Horizonte e em posição estratégica em relação a outros mercados consumidores do país, com acesso rodoviário, ferroviário e aéreo, Ubá realiza, desde 1994, uma das maiores feiras de móveis da América Latina, a FEMUR. Com a inauguração do Pavilhão de Exposições, em 2000, inspirado no EXPOMINAS, Ubá tornou-se uma das poucas cidades de Minas Gerais e do Brasil com a capacidade de realizar grandes eventos do gênero. A criação, em 2002, do Fórum de Desenvolvimento do Polo Moveleiro de Ubá, do Senso Moveleiro (2003), do Plano de Marketing (2004) e do programa de incentivo às exportações, o Arranjo Produtivo Local (APL) deu um salto.
 
O amplo diagnóstico de potencialidades, entraves, proposições e ações para a alavancagem do setor moveleiro municiou o setor público municipal e estadual com informações, planejamento estratégico um conjunto de diretrizes para a consolidação da capacidade de produção. Na última década, houve uma melhoria considerável na integração dos empresários, na prospecção de novos mercados e na cooperação do setor produtivo com o setor público  e paraestatal. Ademais, o contínuo investimento dos empresários e trabalhadores em tecnologia, qualificação, treinamento e governança melhorou as condições de competitividade dos móveis da região, hoje a terceira maior produtora do Brasil.
 
Tanto da parte dos empresários quanto dos trabalhadores, nasce uma preocupação cada vez maior com a necessidade de fortalecer, inclusive politicamente, esse bem sucedido arranjo produtivo local moveleiro diante dos desafios internos e externos que se apresentam, especialmente o estrangulamento da infraestrutura regional, o aumento dos custos, a concorrência chinesa e os incentivos fiscais de outros Estados. Cumpre apostar na melhoria da competitividade, da especialização, da infraestrutura, da logística de escoamento da produção, do design e inovação, da gestão empresarial sustentável, da cultura exportadora e da busca de novos mercados. Ubá aponta, com seus móveis cada vez mais sofisticados, os caminhos para o futuro da economia da Zona da Mata Mineira.


Enrique Carlos Natalino
 
 
  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Bases do Plano de Governo de Aécio


 

Nos últimos anos, o Brasil carece de uma direção clara e de uma liderança firme para recuperar o caminho da confiança, da cidadania e da prosperidade. Pensando na necessidade de fortalecer as bases de um novo projeto nacional, que respeite a diversidade, o pluralismo e a democracia inerentes a um país continental e que resgate o compromisso do Estado com a estabilidade, com o desenvolvimento e com a justiça social, o maior partido de oposição, o PSDB lançou, em dezembro de 2013, o primeiro esboço das diretrizes e bases para nortear uma nova agenda de governo para o Brasil.    

O documento proposto pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, para ampla discussão com a sociedade, denominado “Para Mudar o Brasil de Verdade”, busca ampliar o debate e, ao mesmo tempo, amealhar propostas para recuperar a esperança dos brasileiros no futuro e proporcionar melhores oportunidades para as próximas gerações. O ponto central é a busca de um modelo de governança que contemple o fortalecimento das liberdades e dos direitos humanos, do Estado Democrático de Direito e da democracia, da responsabilidade social, da livre iniciativa, do empreendedorismo e da sustentabilidade.

A criação de um ambiente econômico estável, a educação como grande causa nacional, a defesa de uma administração pública eficiente e baseada na meritocracia, a revisão das prioridades da política externa, o impulso à inovação, a promoção da competitividade do parque produtivo e a garantia da diversidade cultural são alguns dos temas suscitados pelo pré-candidato Aécio Neves em suas viagens e encontros com lideranças pelo país.

O documento lançado pelo PSDB num encontro nacional em Brasília propugna o fortalecimento de três eixos: o resgate da Confiança, a promoção da Cidadania e a criação de condições para a Prosperidade das famílias brasileiras.  

A Confiança se constrói com o fortalecimento das instituições e o respeito às normas jurídicas, recuperando a crença na efetividade do Estado de Direito e a fé nos valores da democracia. A Cidadania, por sua vez, se enraizará cada vez mais com a busca de um Estado moderno, eficiente e promotor da meritocracia, voltado à oferta de políticas públicas de educação, saúde, segurança, transporte e habitação. Por fim, a Prosperidade requer uma corajosa política de desenvolvimento, economicamente sustentável, solidária com a Federação e capaz de ampliar o acesso de milhões de brasileiros a melhores condições de vida.

Com o esgotamento do projeto de poder do PT e do ciclo de governo iniciado com Lula, em 2003, as ideias propostas pelo maior partido de oposição do Brasil, o PSDB, ajudam a iluminar um debate importante para o futuro do Brasil. Nos próximos artigos, trataremos de cada um desses eixos e discussões mais importantes.
 
Enrique Carlos Natalino, Mestre em Administração Pública e Bacharel em Direito, Professor Universitário e Assessor do Governo do Estado de Minas Gerais.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PT faz propaganda inspirada na ditadura de Pinochet




Assistam a esse vídeo:

 

 
 
 
 
A propaganda política do PT veiculada ontem na televisão amedronta o país com a ameaça de retrocessos a um passado de pobreza. Tem sua inspiração na campanha plebiscitária do general Augusto Pinochet, veiculada no Chile, em 1988, defendendo a sua manutenção no poder (onde já estava instalado desde o golpe de 1973). Votar SIM equivalia a dar mais um mandato ao general-presidente.
 
 
 
 
O comercial zombava da propaganda dos oposicionistas, defensores do Não, e ameaçava os chilenos com a volta do fantasma do comunismo e do terrorismo. Todos sabem o resultado: o governo perdeu a eleição e Pinochet foi obrigado a sair da presidência.  A publicidade do NÃO, uma moderna, bem humorada, otimista e eficiente peça publicitária, ajudou os chilenos a derrotar a sua ditadura e celebrizou a canção "Chile, la alegria ya viene".
 
 


 
 
Enrique Carlos Natalino