O episódio envolvendo o ex-ministro Marcelo Calero jogou luz sobre conflitos de interesses dentro dos governos. Esteve em questão a prevalência dos princípios da impessoalidade e da moralidade sobre o velho patrimonialismo que infesta os escaninhos do poder na vida pública brasileira.
O caso revela a incompetência do governo em resolver uma questão aparentemente banal sem hesitar, expor-se e desgastar-se perante a opinião pública. Geddel nem mesmo deveria ter sido nomeado ministro. A resposta errada de Temer diz muito sobre o modo ultrapassado de pensar do Palácio, nos mesmos moldes do PT.
A opinião pública faz conexão direta entre corrupção e a grave crise econômica que vivemos. E o episódio Geddel é fácil de entender à luz do contraste entre as imagens do apartamento de luxo de um ministro de Estado e a penúria da realidade do país. Como o governo cobrará austeridade e sacrifícios da população sem dar exemplos de boa conduta?
Potencial explosivo de uma crise que prossegue.
Temer perdeu a oportunidade de demitir Geddel Vieira Lima no primeiro momento e dar exemplo ao país. Ao invés de condenar e reprovar, aquiesceu com o estilo e legitimou as atitudes do ex-ministro de usar o cargo em benefício pessoal. O pedido de demissão de Geddel não estanca a crise, que fez um rombo na reputação do presidente da República em semana crucial de votações no Congresso.
O governo balançou como vara verde diante dessa crise. Imagine o que vem por aí com a delação da Odebrecht, que promete arrastar vários ministros para a fogueira!
Michel Temer precisa de uma guinada realista, de uma ampla e profunda repactuação do seu governo. Não com o Congresso e com os partidos, onde tem base sólida, mas com a sociedade brasileira. O país atravessa a pior crise econômica e de corrupção em sua história.
O governo Temer está tão fragilizado com essas figuras que ficou de joelhos perante a opinião pública no caso Calero. Tem base parlamentar e apoio congressual, mas diante da conjuntura crítica e da descrença generalizada nos partidos e nos políticos, está perdendo a batalha da opinião pública. Como um doente com sistema ideológico fraco: qualquer gripe o derruba na cama.
A opinião pública quer gestos de grandeza: bons exemplos, coragem, credibilidade, honestidade e transparência. Pequenas e grandes atitudes, limpeza ética, cuidado com os detalhes, comunicação eficiente e pedagogia na liderança pelo exemplo.
O governo Temer está tão fragilizado com essas figuras que ficou de joelhos perante a opinião pública no caso Calero. Tem base parlamentar e apoio congressual, mas diante da conjuntura crítica e da descrença generalizada nos partidos e nos políticos, está perdendo a batalha da opinião pública. Como um doente com sistema ideológico fraco: qualquer gripe o derruba na cama.
A opinião pública quer gestos de grandeza: bons exemplos, coragem, credibilidade, honestidade e transparência. Pequenas e grandes atitudes, limpeza ética, cuidado com os detalhes, comunicação eficiente e pedagogia na liderança pelo exemplo.
Liderança e convencimento são essenciais. Sem esses gestos, a sua ponte para o futuro não irá se sustentar. Vai tombar no abismo da descrença e da desesperança.
Enrique Carlos Natalino
Doutorando em Ciência Política (UFMG)







