Quem acredita numa presidente que promete uma coisa em eleição e faz outra no Governo? Hoje, Dilma Rousseff acabou por admitir que seu Governo teve que dar um cavalo de pau na economia, sob pena de ver sua presidência desmoronar sob os escombros de uma economia em estado crítico. Mas não reconheceu, em nenhum momento, que a causa da mudança de rumos foi o seu próprio governo. É lícito vencer uma eleição com base na mentira, na manipulação e no estelionato?
Dilma Rousseff jurou a milhões de brasileiros que o país estava às mil maravilhas: a economia estava em ordem, novos investimentos iriam chegar e os programas sociais iam bem, obrigado. Se a economia do Brasil estava em ordem, por que, na semana seguinte à vitória no segundo turno, fomos apresentados pelas autoridades a um cenário completamente adverso: maior déficit público dos últimos anos, somado com inflação em alta, rombo monstruoso nas contas externas, investimento definhando e pobreza crescente?
Ademais, ao invés de manter Guido Mantega ou alguém ligado a ele no cargo de Ministro da Fazenda, por que a presidente reeleita trouxe para o seu lugar um banqueiro que trabalhou no Bradesco, com formação da Universidade de Chicago, a Meca do "neoliberalismo"? Assim como Lula fez em 2003, ao trazer para o Banco Central Henrique Meirelles, um banqueiro ligado ao PSDB, Dilma tenta socorrer-se de um economista ortodoxo para tentar evitar que seu segundo governo acabe antes de terminar. Venceu o discurso populista, mas a cartilha da heterodoxia que levou aos desmandos nos setores financeiro, industrial e energético, mobilizando centenas de bilhões de reais em subsídios, deve ir para a lata do lixo.
Pratica-se hoje, a toque de canetadas do Poder Executivo, um dos mais drásticos arrochos fiscais da história do Brasil. E, se por um lado a alternativa ao ajuste nas contas públicas é o caos, por outro ele vai sendo realizado sem critério, transparência e negociação com o Congresso, punindo a produção e o trabalho. Já foram anunciados aumentos de impostos para a classe média, tarifaços, volta de contribuições, cortes em investimentos, diminuição nos benefícios sociais para aposentados e desmonte de importantes políticas de Estado, como a do Ministério das Relações Exteriores, um dos mais afetados pelos cortes.
No lado do gasto, nenhuma notícia sobre reduções no número de Ministérios e de cargos comissionados, imensos canais de desperdícios de dinheiro público. Ao contrário, seu governo promove verdadeira farra com o dinheiro público na Esplanada dos Ministérios, trazendo para o poder um time sem preparo para lidar com os crescentes problemas brasileiros e com os nossos maiores desafios. A educação, por exemplo, elencada como a prioridade das prioridades em seu discurso de posse, foi contemplada com um ministro sem intimidade nenhuma com a pasta e com os maiores cortes no orçamento federal.
A perspectiva de crescimento da economia brasileira em 2015 pode ser negativa, preveem a maioria das consultorias especializadas no assunto. Compreende-se hoje que a empulhação, o falseamento da verdade e a fabricação de ilusões foram as únicas maneiras de vender, aos milhões de eleitores que votaram no PT, a mentira do século.

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