Durante seu
breve período como Governador de Minas, antes de renunciar ao do Palácio da
Liberdade para se candidatar à presidência da República pela via indireta,
Tancredo Neves fez uma visita à cidade de Alto Caparaó, na Serra do Caparaó,
Zona da Mata. O ilustre visitante
hospedou-se no recém inaugurado Caparaó Parque Hotel, charmoso empreendimento
aos pés da cordilheira, com vista para a face de Cristo, monumento natural da região. Naquela época, o
acesso à portaria mineira do Parque Nacional se dava apenas por estradas de
difícil acesso, sem asfaltamento, fato que não inibiu a coragem e a visão do
empresário Ronaldo Gripp, de família de Espera Feliz, a construir, no longínquo
ano de 1979, um dos melhores hotéis de montanha naquela região. As paisagens
que o ex-presidente Tancredo Neves visitou, trinta anos atrás, ainda são as
mesmas, mas a região do Entorno da Serra, hoje reconhecida como um dos melhores
locais de prática de ecoturismo no Brasil, evoluiu bastante desde então.
A colonização
da região da Serra do Caparaó foi impulsionada com a vinda de uma expedição de
engenheiros em 1859 e a colocação de uma bandeira, a mando de D. Pedro II, no
ponto mais elevado do Império. A região foi beneficiada com a expansão do ciclo
cafeeiro e pela construção da Estrada de Ferro Leopoldina, que a conectou ao
Rio de Janeiro, facilitando o escoamento da produção agrícola e trazendo
imigrantes. A agricultura familiar e os terrenos acidentados, se por um lado
mantiveram a produtividade baixa, por outro geraram uma reforma agrária natural,
com o aparecimento de pequenas propriedades familiares, favorecendo uma melhor
distribuição de renda, sem grandes desigualdades.
Até meados do
século XX, o acidente geográfico da Serra do Caparaó, um dos maiores desníveis
de altitude do Brasil, dificultava o esforço de expansão econômica dos Municípios
da região. A criação do Parque Nacional do Caparaó, em 1961, com apoio do
ex-presidente Jânio Quadros, que esteve na região durante sua campanha à
presidência, foi um divisor de águas. A área de proteção da Mata Atlântica, na
divisa dos Estados de Minas e Espírito Santo, tornou-se ainda um foco guerrilheiro
contra o regime militar, rapidamente debelado. A concentração de altitudes de
quase 3000 metros, clima temperado, povo receptivo, fauna e flora diversificas,
antigas fazendas, plantações cafeeiras, estradas idílicas, fartas pastagens e cidades
estruturadas fazem da Serra um dos destinos turísticos de maior
potencial de atração do país.
O Governo de
Minas tem sido um parceiro fundamental da região e dos municípios do Entorno. Nessa
linha, importantes investimentos públicos, como a construção da Estrada-Parque
Espera Feliz-Paraíso, ajudaram a alavancar a infraestrutura e a abrir novas
perspectivas para o escoamento da produção agrícola, o aumento do turismo e a
melhoria do bem-estar dos moradores da comunidade do Entorno. Recentemente, foram anunciados a construção da
nova Estrada-Parque entre o Distrito do Paraíso e Caparaó, interligando os dois
lados da Serra, e a instalação de uma futura antena de telefonia celular em São
José da Pedra Menina. Na mesma linha, foi lançado o guia do Circuito Turístico
Pico da Bandeira, com informações bem selecionadas sobre o Parque Nacional e as
cidades do Entorno da Serra, ricamente ilustrado e detalhado. Trata-se de uma
iniciativa dos 17 municípios mineiros que compõem essa região do leste do
Estado, com apoio da Secretaria de Turismo do Governo de Minas.
Tal realidade
nos remete à necessidade de nos prepararmos para o fortalecimento dos
Municípios do Entorno como realidade econômica, política, social, histórica e
cultural, nos contextos mineiro, capixaba e nacional, o que exige a melhoria da
gestão municipal e a seleção de representantes políticos em Belo Horizonte e
Brasília comprometidos com um projeto mais amplo de desenvolvimento regional, integrado
aos programas estaduais e nacionais e às melhores práticas de governança. A busca
de uma inserção política, econômica, administrativa e turística cada vez maior
da nossa região no mapa de Minas e do Brasil deve sempre avançar, transformando-a numa receptora de investimentos e empreendimentos inovadores, como hotéis, pousadas, restaurantes, cafés e fazendas.
Enrique Carlos Natalino

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