"Getúlio (2014), thriller político de João Jardim, se por um lado perde em riqueza de detalhes e personagens para a minissérie "Agosto" (1993), por outro nos leva à intimidade dos Vargas e de seu círculo íntimo nos últimos dias à frente do Catete.
O veterano Tony Ramos encarna, em ótima interpretação, o septuagenário, cansado e depressivo presidente, uma sombra distante do indecifrável caudilho que liderou a Revolução de 30, deu um outro Golpe de 37, foi deposto pelos militar...es em 45, retomou ao poder pelas urnas em 50 e governou o Brasil durante 19 anos, a maior parte como ditador. A participação vital dos militares na trama foi bem retratada em cenários do Catete, Clube Militar, Base Aérea do Galeão e Ministério da Guerra.
Os 19 dias compreendidos entre o atentado contra Carlos Lacerda e o suicídio de Vargas, retratados no filme-documentário, foram os mais conturbados da história da República brasileira e que poderiam, na visão de Tancredo Neves, ter antecipado em dez anos 1964. Senti falta do então Governador Juscelino Kubitschek, que não aparece na inauguração a Mannesmann, em Belo Horizonte.
Foi na viagem a Minas que o ex-presidente teve os alguns últimos momentos de paz e tranquilidade em meio à devastadora crise política que tragava o seu governo.Outro lapso foi o sumiço de Oswaldo Aranha, ministro da Fazenda, aliado e conselheiro desde os tempos de juventude. Ótimo programa, com gosto de queremos mais. Agora, aguardamos o terceiro volume da trilogia "Getúlio", de Lyra Neto, com os acontecimentos da fase entre 45 e 54.
Para quem quiser ver o filme, segue o trailer:
Para quem quiser conhecer as biografias:http://biografiagetuliovargas.com/

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