domingo, 25 de maio de 2014

UBÁ: UMA NOVA ECONOMIA NA ZONA DA MATA

 
A cidade de Ubá, na Zona da Mata, famosa pelas suas mangas e por ser o berço do compositor de "Aquarela do Brasil", é um dos mais interessantes estudos de caso da indústria latino-americana.  Entre o começo do século XIX e meados do século XX, a região atravessou diversos ciclos econômicos, passando da cafeicultura à produção de fumo, milho e gado. A mistura de descendentes de antigos mineradores com imigrantes libaneses e italianos nas terras do sudeste de Minas Gerais fixou na região uma mão-de-obra abundante e diversificada, marca da sua colonização inicial.
 
No começo da década de 1960, a crise na produção do fumo e a falência de uma grande empresa de móveis geraram desemprego e abriram uma janela de oportunidade para reconversão econômica e o nascimento de pequenos empreendimentos de fabricação de móveis em fundos de quintal. Com o trabalho dessas famílias de pequenos marceneiros e a aplicação de novos recursos tecnológicos, a indústria de móveis ubaense expandiu-se ano após ano, numa trajetória de crescente reforço da credibilidade de suas empresas e da qualidade dos seus produtos.
 
Desse histórico impressionante de superação e reconstrução, nasceu um dos mais importantes complexos moveleiros do país, com cerca de 350 empresas, responsáveis pela geração de 10 mil empregos diretos e de 20 mil indiretos (dados da FIEMG), além de uma considerável parcela do PIB industrial da Zona da Mata. Hoje, o polo moveleiro de Ubá impulsiona a economia da cidade e de todo o seu entorno, espraiando-se ainda pelos municípios de Guidoval, Guiricema, Piraúba, Rio Pompa, Rodeiro, São Geraldo, Tocantins e Visconde do Rio Branco.
 
Localizada a 290 km de Belo Horizonte e em posição estratégica em relação a outros mercados consumidores do país, com acesso rodoviário, ferroviário e aéreo, Ubá realiza, desde 1994, uma das maiores feiras de móveis da América Latina, a FEMUR. Com a inauguração do Pavilhão de Exposições, em 2000, inspirado no EXPOMINAS, Ubá tornou-se uma das poucas cidades de Minas Gerais e do Brasil com a capacidade de realizar grandes eventos do gênero. A criação, em 2002, do Fórum de Desenvolvimento do Polo Moveleiro de Ubá, do Senso Moveleiro (2003), do Plano de Marketing (2004) e do programa de incentivo às exportações, o Arranjo Produtivo Local (APL) deu um salto.
 
O amplo diagnóstico de potencialidades, entraves, proposições e ações para a alavancagem do setor moveleiro municiou o setor público municipal e estadual com informações, planejamento estratégico um conjunto de diretrizes para a consolidação da capacidade de produção. Na última década, houve uma melhoria considerável na integração dos empresários, na prospecção de novos mercados e na cooperação do setor produtivo com o setor público  e paraestatal. Ademais, o contínuo investimento dos empresários e trabalhadores em tecnologia, qualificação, treinamento e governança melhorou as condições de competitividade dos móveis da região, hoje a terceira maior produtora do Brasil.
 
Tanto da parte dos empresários quanto dos trabalhadores, nasce uma preocupação cada vez maior com a necessidade de fortalecer, inclusive politicamente, esse bem sucedido arranjo produtivo local moveleiro diante dos desafios internos e externos que se apresentam, especialmente o estrangulamento da infraestrutura regional, o aumento dos custos, a concorrência chinesa e os incentivos fiscais de outros Estados. Cumpre apostar na melhoria da competitividade, da especialização, da infraestrutura, da logística de escoamento da produção, do design e inovação, da gestão empresarial sustentável, da cultura exportadora e da busca de novos mercados. Ubá aponta, com seus móveis cada vez mais sofisticados, os caminhos para o futuro da economia da Zona da Mata Mineira.


Enrique Carlos Natalino
 
 
  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Bases do Plano de Governo de Aécio


 

Nos últimos anos, o Brasil carece de uma direção clara e de uma liderança firme para recuperar o caminho da confiança, da cidadania e da prosperidade. Pensando na necessidade de fortalecer as bases de um novo projeto nacional, que respeite a diversidade, o pluralismo e a democracia inerentes a um país continental e que resgate o compromisso do Estado com a estabilidade, com o desenvolvimento e com a justiça social, o maior partido de oposição, o PSDB lançou, em dezembro de 2013, o primeiro esboço das diretrizes e bases para nortear uma nova agenda de governo para o Brasil.    

O documento proposto pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, para ampla discussão com a sociedade, denominado “Para Mudar o Brasil de Verdade”, busca ampliar o debate e, ao mesmo tempo, amealhar propostas para recuperar a esperança dos brasileiros no futuro e proporcionar melhores oportunidades para as próximas gerações. O ponto central é a busca de um modelo de governança que contemple o fortalecimento das liberdades e dos direitos humanos, do Estado Democrático de Direito e da democracia, da responsabilidade social, da livre iniciativa, do empreendedorismo e da sustentabilidade.

A criação de um ambiente econômico estável, a educação como grande causa nacional, a defesa de uma administração pública eficiente e baseada na meritocracia, a revisão das prioridades da política externa, o impulso à inovação, a promoção da competitividade do parque produtivo e a garantia da diversidade cultural são alguns dos temas suscitados pelo pré-candidato Aécio Neves em suas viagens e encontros com lideranças pelo país.

O documento lançado pelo PSDB num encontro nacional em Brasília propugna o fortalecimento de três eixos: o resgate da Confiança, a promoção da Cidadania e a criação de condições para a Prosperidade das famílias brasileiras.  

A Confiança se constrói com o fortalecimento das instituições e o respeito às normas jurídicas, recuperando a crença na efetividade do Estado de Direito e a fé nos valores da democracia. A Cidadania, por sua vez, se enraizará cada vez mais com a busca de um Estado moderno, eficiente e promotor da meritocracia, voltado à oferta de políticas públicas de educação, saúde, segurança, transporte e habitação. Por fim, a Prosperidade requer uma corajosa política de desenvolvimento, economicamente sustentável, solidária com a Federação e capaz de ampliar o acesso de milhões de brasileiros a melhores condições de vida.

Com o esgotamento do projeto de poder do PT e do ciclo de governo iniciado com Lula, em 2003, as ideias propostas pelo maior partido de oposição do Brasil, o PSDB, ajudam a iluminar um debate importante para o futuro do Brasil. Nos próximos artigos, trataremos de cada um desses eixos e discussões mais importantes.
 
Enrique Carlos Natalino, Mestre em Administração Pública e Bacharel em Direito, Professor Universitário e Assessor do Governo do Estado de Minas Gerais.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PT faz propaganda inspirada na ditadura de Pinochet




Assistam a esse vídeo:

 

 
 
 
 
A propaganda política do PT veiculada ontem na televisão amedronta o país com a ameaça de retrocessos a um passado de pobreza. Tem sua inspiração na campanha plebiscitária do general Augusto Pinochet, veiculada no Chile, em 1988, defendendo a sua manutenção no poder (onde já estava instalado desde o golpe de 1973). Votar SIM equivalia a dar mais um mandato ao general-presidente.
 
 
 
 
O comercial zombava da propaganda dos oposicionistas, defensores do Não, e ameaçava os chilenos com a volta do fantasma do comunismo e do terrorismo. Todos sabem o resultado: o governo perdeu a eleição e Pinochet foi obrigado a sair da presidência.  A publicidade do NÃO, uma moderna, bem humorada, otimista e eficiente peça publicitária, ajudou os chilenos a derrotar a sua ditadura e celebrizou a canção "Chile, la alegria ya viene".
 
 


 
 
Enrique Carlos Natalino

domingo, 4 de maio de 2014

"Getúlio", o filme

 
 
 
"Getúlio (2014), thriller político de João Jardim, se por um lado perde em riqueza de detalhes e personagens para a minissérie "Agosto" (1993), por outro nos leva à intimidade dos Vargas e de seu círculo íntimo nos últimos dias à frente do Catete.
 
 
O veterano Tony Ramos encarna, em ótima interpretação, o septuagenário, cansado e depressivo presidente, uma sombra distante do indecifrável caudilho que liderou a Revolução de 30, deu um outro Golpe de 37, foi deposto pelos militar...es em 45, retomou ao poder pelas urnas em 50 e governou o Brasil durante 19 anos, a maior parte como ditador. A participação vital dos militares na trama foi bem retratada em cenários do Catete, Clube Militar, Base Aérea do Galeão e Ministério da Guerra.
 
 
Os 19 dias compreendidos entre o atentado contra Carlos Lacerda e o suicídio de Vargas, retratados no filme-documentário, foram os mais conturbados da história da República brasileira e que poderiam, na visão de Tancredo Neves, ter antecipado em dez anos 1964. Senti falta do então Governador Juscelino Kubitschek, que não aparece na inauguração a Mannesmann, em Belo Horizonte.
 
 
Foi na viagem a Minas que o ex-presidente teve os alguns últimos momentos de paz e tranquilidade em meio à devastadora crise política que tragava o seu governo.Outro lapso foi o sumiço de Oswaldo Aranha, ministro da Fazenda, aliado e conselheiro desde os tempos de juventude. Ótimo programa, com gosto de queremos mais. Agora, aguardamos o terceiro volume da trilogia "Getúlio", de Lyra Neto, com os acontecimentos da fase entre 45 e 54.
 
 
Para quem quiser ver o filme, segue o trailer:
 
 
Para quem quiser conhecer as biografias:http://biografiagetuliovargas.com/

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os Desafios da Serra do Caparaó – Parte I


 
Durante seu breve período como Governador de Minas, antes de renunciar ao do Palácio da Liberdade para se candidatar à presidência da República pela via indireta, Tancredo Neves fez uma visita à cidade de Alto Caparaó, na Serra do Caparaó, Zona da Mata.  O ilustre visitante hospedou-se no recém inaugurado Caparaó Parque Hotel, charmoso empreendimento aos pés da cordilheira, com vista para a face de Cristo, monumento natural da região. Naquela época, o acesso à portaria mineira do Parque Nacional se dava apenas por estradas de difícil acesso, sem asfaltamento, fato que não inibiu a coragem e a visão do empresário Ronaldo Gripp, de família de Espera Feliz, a construir, no longínquo ano de 1979, um dos melhores hotéis de montanha naquela região. As paisagens que o ex-presidente Tancredo Neves visitou, trinta anos atrás, ainda são as mesmas, mas a região do Entorno da Serra, hoje reconhecida como um dos melhores locais de prática de ecoturismo no Brasil, evoluiu bastante desde então.

A colonização da região da Serra do Caparaó foi impulsionada com a vinda de uma expedição de engenheiros em 1859 e a colocação de uma bandeira, a mando de D. Pedro II, no ponto mais elevado do Império. A região foi beneficiada com a expansão do ciclo cafeeiro e pela construção da Estrada de Ferro Leopoldina, que a conectou ao Rio de Janeiro, facilitando o escoamento da produção agrícola e trazendo imigrantes. A agricultura familiar e os terrenos acidentados, se por um lado mantiveram a produtividade baixa, por outro geraram uma reforma agrária natural, com o aparecimento de pequenas propriedades familiares, favorecendo uma melhor distribuição de renda, sem grandes desigualdades.

Até meados do século XX, o acidente geográfico da Serra do Caparaó, um dos maiores desníveis de altitude do Brasil, dificultava o esforço de expansão econômica dos Municípios da região. A criação do Parque Nacional do Caparaó, em 1961, com apoio do ex-presidente Jânio Quadros, que esteve na região durante sua campanha à presidência, foi um divisor de águas. A área de proteção da Mata Atlântica, na divisa dos Estados de Minas e Espírito Santo, tornou-se ainda um foco guerrilheiro contra o regime militar, rapidamente debelado. A concentração de altitudes de quase 3000 metros, clima temperado, povo receptivo, fauna e flora diversificas, antigas fazendas, plantações cafeeiras, estradas idílicas, fartas pastagens e cidades estruturadas fazem da Serra um dos destinos turísticos de maior potencial de atração do país.

O Governo de Minas tem sido um parceiro fundamental da região e dos municípios do Entorno. Nessa linha, importantes investimentos públicos, como a construção da Estrada-Parque Espera Feliz-Paraíso, ajudaram a alavancar a infraestrutura e a abrir novas perspectivas para o escoamento da produção agrícola, o aumento do turismo e a melhoria do bem-estar dos moradores da comunidade do Entorno.  Recentemente, foram anunciados a construção da nova Estrada-Parque entre o Distrito do Paraíso e Caparaó, interligando os dois lados da Serra, e a instalação de uma futura antena de telefonia celular em São José da Pedra Menina. Na mesma linha, foi lançado o guia do Circuito Turístico Pico da Bandeira, com informações bem selecionadas sobre o Parque Nacional e as cidades do Entorno da Serra, ricamente ilustrado e detalhado. Trata-se de uma iniciativa dos 17 municípios mineiros que compõem essa região do leste do Estado, com apoio da Secretaria de Turismo do Governo de Minas.

Tal realidade nos remete à necessidade de nos prepararmos para o fortalecimento dos Municípios do Entorno como realidade econômica, política, social, histórica e cultural, nos contextos mineiro, capixaba e nacional, o que exige a melhoria da gestão municipal e a seleção de representantes políticos em Belo Horizonte e Brasília comprometidos com um projeto mais amplo de desenvolvimento regional, integrado aos programas estaduais e nacionais e às melhores práticas de governança. A busca de uma inserção política, econômica, administrativa e turística cada vez maior da nossa região no mapa de Minas e do Brasil deve sempre avançar, transformando-a numa receptora de investimentos e empreendimentos inovadores, como hotéis, pousadas, restaurantes, cafés e fazendas.
 
Enrique Carlos Natalino