Publico o comentário de um amigo meu a respeito do artigo do ex-presidente FHC e o do discurso do senador Aécio Neves. Em nome do contraditório, acredito ser sempre importante ouvirmos as opiniões divergentes.
Segue o texto:
O Governo Dilma completou 100 dias recentemente e saiu da Lua de Mel. O encerramento desta trégua se deu com o Discurso do Senador Aécio Neves na Tribuna do Senado. Excelente discurso, que procurou unir a oposição ao PT e ao Governo Dilma em torno de um projeto para o Pais. Parafraseando o Governador Alckmin disse: Ser oposição é tão patriótico quanto ser governo. Tarefa honrosa, em suas palavras, delegada a ele e a outros ilustres pelo povo brasileiro, senhor dos parlamentares.
O discurso em si convocou os parlamentares não alinhados ao governo do PT a convergência um discurso oposicionista (e fiscalizador) em prol do Pais. Como referencia, cita o radicalismo intransigente dos "seus adversários" em várias passagens de seu discurso. Em referências a momentos históricos Disse que sempre que o Brasil precisou do PSDB eles estavam lá (e os adversários não). O Discurso é louvável até mesmo porque a oposição no país encontra-se sem rumo e precisando de uma nova música para gorjear, segundo a The Economist O discurso não chegou a ser uma unanimidade, mas chegou a ser aplaudido por parlamentares da base governista e por simpatizantes do governo do PT (dentre os quais este escriba.
Aécio também diz: os partidos não se definem pelo discurso que fazem, nem pelas causas que dizem defender. Um partido se define pelas ações que pratica. Porém as ações do partido, neste caso, não se dissociam das ações e/ou discursos de seus militantes, principalmente se este militante já tenha sido presidente da república. Causa-me espanto, que, logo após um brilhante discurso, que prega a convergência, a união em torno de um ideal, de um projeto feito de diversidade de pessoas e idéias, um dos principais nomes do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, venha com um discurso em que o partido PSDB deve optar por outro tipo de público uma vez, que segundo ele, As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental.
Ainda de acordo com o ex-presidente tucano a definição de outro público é necessária, pois enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Assim deve-se direcionar o discurso a um publico mais seleto pois existe um público distinto do que se prende ao jogo político tradicional e ao que é mais atingido pelos mecanismos governamentais de difusão televisiva e midiática em geral.
Todo o ideal de união e coesão defendido pelo senador Aécio foi jogado as traças pelo ex-presidente, literalmente foi “farofa no ventilador”. O PSDB alega ter iniciado e criado muito dos programas sociais que hoje aí estão, porém rebatizados e/ou fundidos, falando que governa para os mais pobres. Cita também a democratização do acesso a telefonia como um dos baluartes de sua gestão na presidência. Programas sociais e democratização do acesso à tecnologia são programas voltados para a maioria, mas como governar para a maioria se FHC quer deixar de lado o “povão”? Assim, me pergunto, qual foi o sentido de sua recente participação no “Esquenta” da Regina Casé?
“Esquecer” setores parece não ser uma das melhores táticas para exercer uma oposição. Os “movimentos sociais” ou o “povão” foram cooptados pelo PT? Ótimo! É ai que o PSDB tem que entrar. A massa é carente e pouco informada, municie-a de informação! Em uma de suas diversas metáforas, o ex-presidente Lula disse uma vez “Imaginem se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? Vamos dar tal remédio e você vai se recuperar, ou você diria: Meu, sifu? “ Aqui vale o mesmo raciocínio, o paciente doente seria a tal massa carente pouco informada. Agora, PSDB, vocês vão mesmo deixar esta massa “sifu”?
Acreditava que a falta de rumo do que e como fiscalizar o governo do PT e essas contradições fosse apenas um problema dois ou três tucanos de alta plumagem se bicando, mas o pior ainda estava por vir. O PSDB inicia com umas pílulas na TV, falando sobre as obras para a copa, principalmente os aeroportos. A crítica é justa, mas o problema de toda a história foi o novo slogan do partido: “A gente não cobra cargos, cobra competência”.
Voltando ao discurso do Aécio, é preciso ter cuidado, pois Um partido se define pelas ações que pratica e a cobrança de cargos esta sendo sim feita pelo PSDB. Em Minas Gerais o Governador Antonio Anastasia (PSDB-MG) aprovou com folga na Assembléia uma lei que lhe permite nomear por recrutamento amplo (sem concurso) 1.314 cargos, a prefeitura de Belo Horizonte vive uma briga entre PT e PSDB por cargos em torno da mal costurada aliança em torno do prefeito Marcio Lacerda (PSB). Um dos vereadores do PSDB em BH chegou a dizer que o bolo (leiam-se os cargos na prefeitura) tem que ser divididos. O diretório do PSDB de Londrina-PR chegou a marcar uma reunião com Durval Amaral (DEM), chefe da casa civil do governo Beto Richa sobre cargos para o diretório daquela cidade no governo do Paraná. Na ocasião, o presidente do PSDB de Londrina, Claudemir Molina chegou a dizer que Vamos falar da situação da cobrança que estamos tendo no partido na cidade em relação às nomeações dos cargos. Não sei se ele vai participar da reunião, mas se ele quiser não tem problema.
o Nordeste também houve cobrança por cargos. Ano passado, o PSDB rompeu com o Governador cearense Cid Gomes (PSB), mas não devolveria espontaneamente os cargos recebidos. Marco Cals, candidato tucano ao governo do Ceará disse na oportunidade que “Quem convidou o PSDB pra fazer parte do governo foi o próprio governador. Se ele assim entender, que demita”. Passadas as eleições, o PSDB já articulava para obter ao menos dois cargos na próxima legislatura da Assembléia Legislativa daquele Estado . No Rio Grande do Norte, o PSDB articula por uma maior participação no governo Rosalba e na prefeitura de Natal
Não cobra cargos? Por favor, deixem o cinismo de lado e concentrem-se no “óbvio de FHC”. Exerçam oposição ao governo. Concentrem-se nesta tarefa. “Tomem Partido” nos dizeres do ex-presidente. E por favor, não subestimem a tal massa carente e desinformada, pois conforme o Senador Aécio Neves, "O Brasil de hoje é resultado de uma vigorosa construção coletiva que, desde os primeiros sopros da nacionalidade, vem ganhando dimensão, substância e densidade. Ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, o País não nasceu ontem. Ele é fruto dos erros e acertos de várias gerações de brasileiros, de diferentes governos e líderes, e também de diversas circunstâncias históricas e econômicas. Juntos, nós, brasileiros, percorremos os caminhos que nos trouxeram até aqui. Mas é importante e justo que nos lembremos, sempre, que não chegamos até aqui percorrendo os mesmos caminhos".
Enfim, acredito que para quem exerceu o papel de “vidraça” nos primeiros e mais difíceis anos da redemocratização não deve ser difícil exercer hoje o papel de “pedra”. Eu sei que pode ter “muita coisa errada por aí”, mas onde estão estas coisas erradas? Isso é muito lacônico e não é exercício de oposição. Se elas existem vocês tem o dever de mostrá-las, e não só ficar insinuando. O ator da propaganda diz “ô governo, se mexe”. Porém cabe a vocês da oposição tirar o governo da inércia. É esta é a vossa tarefa! A frase então também valeria muito mais para vocês mesmos do que para o próprio governo, afinal de contas, de acordo com o ditado popular “Em time que está ganhando não se mexe” não é mesmo? Mexam-se! O Brasil também precisa de vocês! No mais desejo sucesso, consistência e coerência a todos os tucanos e oposicionistas do atual governo.
Gerson Oscar de Menezes Júnior é advogado e mestrando em Administrãção Pública
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